Steve Jobs 1955-2011

Marcia Rocha  Marcia Rocha 6 de outubro de 2011 0

Carismático, visionário, implacável, perfeccionista, ditador. Essas são algumas das palavras usadas para descrever a figura de Steve Jobs, que pode ser o maior sonhador que o mundo da tecnologia já viu, mas também um exímio empresário e negociador. Responsável por revolucionar a indústria da computação pessoal, música, e telefonia  e inovar a animação para filmes, Jobs morreu nesta quarta-feira, aos 56 anos de idade. Ex-CEO e força criativa por trás da Apple, ele lutava desde 2003 contra um câncer raro no pâncreas, que o levou a deixar, em agosto, a direção da companhia que ele fundou em 1976 e ajudou a transformar em uma das mais valiosas do planeta.

Com seus computadores, tocadores de MP3 e smartphones, inseriu a informática no cotidiano de milhões de pessoas, criou máquinas fáceis de usar, equipadas com mouses e ícones para ativar programas ou abrir arquivos. Com o tocador de MP3 iPod, proporcionou aos amantes da música uma nova forma de ouvi-las em qualquer lugar e às gravadoras e aos artistas um canal controlado de distribuição de suas obras, a loja virtual iTunes.

Trajetória

Jobs era budista, filho de pais adotivos, e não concluiu a faculdade. Ele criou a Apple Computer com seu amigo Steve Wozniak no final da década de 1970. Logo a empresa lançaria o computador Apple 1.

Mas foi o Apple II que se tornou um enorme sucesso e deu à Apple um lugar essencial na então nascente indústria dos computadores pessoais, culminando, em 1980, com uma oferta pública inicial de ações que deixou Jobs milionário.

Apesar do subsequente sucesso do Mac, a relação de Jobs com os diretores e conselheiros se degenerou. A empresa cassou a maioria dos seus poderes, e o demitiu em 1985.

A Apple entrou em declínio a partir de então. Até que, em 1997, adquiriu a Next, uma empresa de computadores que Jobs criou após deixar a Apple. Jobs estava de volta, e no mesmo ano se tornaria CEO interino. Em 2000, a empresa retirou o “interino” do título.

Em meio a tudo isso, Jobs também conseguiu revolucionar a animação computadorizada com a sua outra empresa, a Pixar. Mas foi o iPhone, em 2007, que colocou de vez o seu legado na história da tecnologia moderna.

Dois anos antes de lançar a engenhoca que transformaria para sempre a maneira como as pessoas de todo o mundo acessam e usam a Internet, Jobs falou sobre como a sensação de mortalidade era um importante motivador para essa visão.

“Lembrar que logo estarei morto é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas da vida”, disse Jobs durante uma cerimônia de formatura em Stanford em 2005.

“Porque quase tudo — todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo do constrangimento e do fracasso –, essas coisas simplesmente desmoronam diante da morte, deixando apenas o que é realmente importante.”

“Lembrar que você vai morrer é a melhor forma que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você não tem nada a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração.”

Alguns marcos na história da Apple

1976 – Steven Wozniak e Steve Jobs, dois amigos de colégio, criam a Apple Computer. Seu primeiro produto, o Apple 1, construído em forma de placa de circuito, estreia no “Clube do Computador Caseiro”, em Palo Alto, Califórnia.

1977 – É apresentado o Apple II, primeiro computador pessoal em um gabinete de plástico, com gráficos coloridos.

1983 – A Apple começa a vender o “Lisa”, um computador desktop para empresas, com interface gráfica, o sistema com o qual a maioria dos usuários está familiarizada hoje em dia.

1984 – A Apple lança o computador pessoal Macintosh.

1985 – Jobs sai da Apple após uma disputa de poder.

Setembro de 1997 – Jobs é nomeado CEO interino da Apple, após a empresa registrar prejuízos superiores a 1,8 bilhão de dólares.

Novembro de 1997 – Jobs apresenta uma nova linha de computadores Macintosh, chamada G3, e um site que permite que as pessoas comprem diretamente da Apple.

1998 – A Apple lança o computador de mesa iMac.

2001 – A Apple apresenta o iPod.

2003 – A loja iTunes começa a funcionar, permitindo que os usuários comprem e baixem música, audiolivros, filmes e programas de TV online.

Agosto de 2004 – Jobs anuncia que passou por uma cirurgia bem sucedida para remover um tumor cancerígeno do pâncreas.

Outubro de 2005 – Tim Cook é nomeado diretor de operações da Apple, depois de atuar como vice-presidente executivo de vendas e operações desde 2002.

Janeiro de 2007 – A Apple apresenta o iPhone.

2008 – A Apple abre a sua App Store como uma atualização para o iTunes.

Janeiro de 2009 – Jobs tira licença por motivos de saúde. Cook, o diretor de operações, assume interinamente.

Junho de 2009 – Jobs retorna à empresa após passar por um transplante de fígado.

Abril de 2010 – A Apple começa a vender o iPhone, um tablet touchscreen de 10 polegadas, e no final do ano tem uma participação de 84 por cento no mercado dos tablets.

17 de janeiro de 2011 – Jobs anuncia que vai tirar outra licença médica.

2 de março de 2011 – A Apple lança o iPad 2.

9 de agosto de 2011 – A Apple supera por alguns instantes a Exxon Mobil como a empresa mais valiosa dos EUA.

24 de agosto de 2011 – Muito debilitado, Jobs se afasta definitivamente do comando da Apple, deixando o cargo de CEO com Cook.

Sem seu principal criador, a Apple caminhará sob comando de Tim Cook, antigo chefe de operações da companhia, que assumiu o cargo de CEO no final de agosto. Um dia depois do afastamento de Jobs, as ações da companhia caíram cerca de 2%, exprimindo a preocupação dos investidores com o futuro da companhia. “Em curto prazo, contudo, não vemos nenhum impacto que possa prejudicar a Apple. São oscilações normais de mercado”, avalia Bruno Freitas, analista de mercado do grupo IDC.

O conforto é fruto de uma tática quase imperceptível adotada pelo cérebro da empresa: o treino das lideranças da companhia. Nos lançamentos da marca nos últimos anos, por exemplo, Jobs dividia as apresentações: ele mostrava as novidades e deixava as explicações técnicas para os especialistas. Além disso, em 2008, foi criada a Apple University, com o objetivo de ensinar os empregados da empresa a “pensar como Steve Jobs” e a tomar decisões como ele. A idéia era impregnar nos executivos o “jeito Steve Jobs de ser”.

“Não há dúvidas de que, sem ele, não haveria Apple. Mas a questão é que ele criou um time e uma série de processos pensando no sucesso”, diz Carolina Milanesi, analista do Gartner, grupo especializado em análise de mercado. Freitas completa: “Podemos falar que a Apple absorveu o DNA de Steve Jobs. Por isso, ela pode continuar bem, mesmo sem ele no comando.”

Jobs deixa a mulher, Laurene, e quatro filhos – três mulheres e um homem.

Veja um dos principais discursos de Steve Jobs, na formatura da Universidade de Stanford

Veja as homenagens nas lojas da Apple

*com Reuters

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